Sustentabilidade da Destinação de Resíduos da Construção Civil
Construção Civil

Sustentabilidade na Destinação de Resíduos da Construção Civil

A destinação de resíduos da construção civil abrange várias etapas da cadeia produtiva. O setor construtivo é responsável pelo consumo de cerca de 75% dos recursos naturais do mundo. Ou seja, é extremamente impactante ao meio ambiente.

Com o crescimento da noção de sustentabilidade na construção civil e, por conseguinte, da visão de economia circular, os materiais que antes eram visto como inutilizáveis estão ganhando outras perspectivas.

Veja no post a seguir como a sustentabilidade da destinação de resíduos da construção civil tem ajudado a reduzir o impacto ambiental associado à construção.

O que são os resíduos da construção civil

Hoje em dia, chama-se de lixo os subprodutos inutilizáveis da construção civil e resíduos aquilo que pode ser reaproveitado de alguma forma. Em quaisquer dos casos, são subprodutos do processo ou cadeia produtiva em questão.

A noção de resíduo reaproveitável adveio do paradigma da sustentabilidade, que, a seu turno, embasa a ideia de economia circular. Esta forma de ver a economia busca trazer um olhar sistêmico e de processos em contraste com a noção de linha de produção vigente hoje na indústria.

Com isso, o resíduo de um processo produtivo torna-se o insumo de outro, reduzindo significativamente o impacto do descarte de subprodutos e lixo sobre o ambiente.

Por outro lado, com o advento da Lei nº 12.305/2010 (Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS), a destinação final dos Resíduos da Construção Civil (RCC) passou a ser um encargo do produtor do resíduo. Diante da necessidade da definição do que sejam esses RCC, surgiu a Resolução Conama nº 307/2002, que define o seguinte:

 

Artigo 2º: resíduos da construção civil: são os provenientes de construções, reformas, reparos e demolições de obras de construção civil, e os resultantes da preparação e da escavação de terrenos, tais como: tijolos, blocos cerâmicos, concreto em geral, solos, rochas, metais, resinas, colas, tintas, madeiras e compensados, forros, argamassa, gesso, telhas, pavimento asfáltico, vidros, plásticos, tubulações, fiação elétrica etc., comumente chamados de entulhos de obras, caliça ou metralha (Brasil, 2002, Artigo 2o, inciso I).

 

Ainda que a Resolução não fale especificamente dos efluentes líquidos, a destinação final para esse tipo de resíduo deve ser tratada de modo semelhante aos resíduos sólidos.

A PNRS de 2010 complementa, no artigo 13, que os RCC são “os gerados nas construções, reformas, reparos e demolições de obras de construção civil, incluídos os resultantes da preparação e escavação de terrenos para obras civis”.

A Resolução traz, também, as classificações dos Resíduos da Construção Civil em termos de periculosidade ou de reutilização. Por esse motivo, a separação dos resíduos apropriada é indispensável. De outra forma, os resíduos tornam-se problemas ambientais.

Sustentabilidade da Destinação de Resíduos da Construção Civil

Quais os problemas gerados pelos resíduos da construção civil

Ainda que os RCC sejam, em geral, considerados de baixa periculosidade, é possível que sejam encontrados materiais perigosos, embalagens, produtos orgânicos e outras situações que podem acumular água e aumentar a proliferação de insetos e vetores de doenças. A causa disso é o grande volume de resíduo gerado, o que na verdade é uma perda.

Nesse contexto, a perda é toda a atividade desnecessária que aumenta os custos do processo sem, no entanto, agregar valor ao produto final. Por desnecessário entende-se aquilo que pode ser eliminado sem detrimento do trabalho efetivo. Tais perdas podem ser definidas como:

  • Perdas por fabricação de produtos defeituosos;
  • Perdas por manutenção de estoques;
  • Perdas no processamento em si;
  • Perdas por superprodução;
  • Perdas por substituição;
  • Perdas por transporte;
  • Perdas no movimento;
  • Perdas por espera;
  • Outras perdas

Uma vez que os custos de produção são fixos, tudo o que se caracteriza como perda é, na verdade, prejuízo à atividade. Portanto, a gestão apropriada dos resíduos da construção civil é uma questão não apenas ambiental, mas estratégica à economicidade do empreendimento.

Diante disso, as empresas do ramo da construção civil têm crescentemente se preocupado com a noção de construções sustentáveis. A série de normas ISO 14000 é uma das expressões de como o setor corporativo tem percebido a sustentabilidade como um elemento administrativo estratégico para assegurar a competitividade da empresa.

Sustentabilidade da Destinação de Resíduos da Construção Civil

Quais os benefícios da destinação apropriada de resíduos da construção civil

Com as mudanças de paradigma quanto ao sistema produtivo e a sustentabilidade, um novo olhar passou a ser lançado sobre o tema do descarte de material indesejável. Assim, lixo acaba sendo definido como aquilo que não tem mais serventia alguma enquanto resíduo é um subproduto que pode ser utilizado como insumo para outro processo. Ou seja, inicia-se um processo de reciclagem dos resíduos.

Há diversos benefícios em se fazer a reciclagem dos resíduos da construção civil, entre os quais:

  • Inovação principalmente na engenharia de materiais para a construção, tal como a adição de escória de alto forno ao cimento, que melhora suas propriedades físico-químicas.
  • Redução da pressão sobre o ambiente, especialmente no que se refere à extração de novos recursos como a mineração do calcário para a elaboração se cimento;
  • Diminuição da pressão sobre os aterros sanitários, uma vez que 61% dos Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) são provenientes da construção civil;
  • Redução do consumo de energia, tanto para transporte quanto para manufatura de novos bens;
  • Geração de emprego e renda a partir das atividades de reciclagem;

Além disso, a legislação federal e regional vem tornando-se gradativamente mais específica quanto à destinação dos resíduos. Com a publicação da Resolução Conama nº 307/2002, o gerador do resíduo passou a ser responsável pela separação dos RCC em quatro classes, além de trazer a recomendação de se adotar o princípio da prevenção de resíduos no setor e o encaminhamento apropriado (reciclagem e destinação final).

Localmente, os municípios têm autoridade para criarem suas próprias políticas de gerenciamento de resíduos. É importante sempre consultar a legislação local no momento da criação do Plano de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil.

Portanto, a sustentabilidade da destinação de resíduos da construção civil é não apenas ambientalmente interessante, mas um ponto estratégico na gestão de custos de projetos. Não obstante os benefícios da reciclagem, a destinação apropriada dos resíduos é uma obrigação legal cujo cumprimento é de interesse público e privado.

O que achou deste conteúdo? Quer saber mais sobre sustentabilidade e construção civil? Conheça algumas dicas de melhoria para a cadeia de suprimentos em nosso artigo. Agradecemos sua visita.


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